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RADARZINE (OKC20)

RADARZINE (OKC20)

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Sexta-feira, 30 Junho 2017
Esta Semana

O Radarzine prossegue o seu destaque alargado aos músicos nacionais envolvidos na nossa experiência científica OKC20, a celebração dos 20 anos de OK Computer dos Radiohead, onde todas as semanas estreamos novas versões para as 12 canções no alinhamento do álbum.
Depois da versão de TAPE JUNk para “Electioneering”, de “Karma Police” por Benjamim, “Exit Music (For A Film) pelos Vaarwell, “Paranoid Android” por Mirror People, “Climbing Up The Walls” na voz de Sequin, “Subterranean Homesick Alien” pelos You Can’t Win, Charlie Brown, “Lucky” por Filipe Sambado, da versão de Batida para “Fitter Happier” e de “Airbag” por Primeira Dama & Coelho Radioactivo, a canção que estreámos esta semana (e que podem ouvir apenas em exclusivo durante as nossas emissões) foi a de Samuel Úria para “No Surprises”.

Deixamos hoje o testemunho de Úria sobre a sua relação com o clássico terceiro álbum dos Radiohead.

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Em 1997 tu já fazias música. Qual é a tua relação com o OK Computer
 
Em 97 eu estava a ter algumas das minhas primeiras bandas, lembro-me que antes até do OK Computer, uma das canções de warm up das bandas em que eu estava era o “Creep”, que tinha sobretudo aquelas partes das guitarras, quando entravam com mais força, não sendo uma canção propriamente violenta é uma canção muito intensa e era sempre uma canção fixe de warm up. Então os Radiohead, por interposto da canção mais popular deles na altura, eram uma das bandas de eleição para reproduzirmos quando estávamos a aquecer. Mas o OK Computermudou um bocado o jogo. É verdade que eu já ouvia muita música alternativa na altura, isto em tempos de liceu ainda, mas eu lembro-me que mudou um bocado o jogo, ser um disco aparentemente super elaborado mas ao mesmo tempo não me lembro de ninguém que não gostasse do disco e das canções que estavam lá. E mesmo aquela malta que tinha um bocado a ditadura de ouvir as coisas mais violentas e mais pesadas, ficou rendida a algumas das baladas deste disco. Acho que foi um disco muito importante para toda a gente, falar de uma relação pessoal com o disco vai ter que passar por uma percepção geral que eu tenho do OK Computer nessa altura. Eu normalmente traço os meus gostos musicais com uma espécie de felicidade da altura em que eles apareceram: eu estava a começar a adolescência quando aparece o Nevermind e estava a sair da adolescência quando aparece o OK Computer, eu não reformulei os meus gostos por causa do OK Computer, e Radiohead não são propriamente a minha banda preferida, mas este é o disco ideal para essa saída da adolescência, parece-me, e eu tive a felicidade de ele ter aparecido nessa altura, eu tinha 17 anos quando o disco saiu, foi mesmo na altura certa.
Tu fizeste uma versão de “No Surprises”. Essa música calhou-te ou foste tu que escolheste?
O Pedro [Ramos] convidou-me e eu abocanhei logo essa canção. Tive a ideia que podia ser a a canção que toda a gente iria atrás, ou talvez não, por ser de alguma maneira a mais óbvia para uma versão. Eu acho também que é a canção mais fácil para uma versão e isso pode trazer uma dificuldade acrescida, mas não foi o caso. Inventei um bocado, quis fazer uma versão assumidamente caseira, e claramente caseira, mas por outro lado em termos melódicos e de arranjos eu não quis estar a chover no molhado, não quis estar a inventar demasiado numa canção que por si só já é muito criativa e já sai fora, sem deixar de estar completamente dentro de tudo.
Dizes caseira só porque foi feita em casa?
É uma versão caseira porque é gravada em casa e é gravada com muitas coisas que eu tenho em casa e aproveitei muitos sons literalmente caseiros para estarem presentes, como background da canção uso muito som de casa, mesmo som de coisas que só estariam numa casa, não estariam num estúdio.
 
E a ideia foi aproximar Radiohead de Samuel Úria?
Se me perguntarem as minhas influências musicais, apesar de Radiohead ter sido uma banda muito marcante, eu dificilmente algum dia direi que Radiohead é uma influência. Então o que é curioso nesta canção é que é possivelmente aquela que mais soará a ambas as partes, se eu algum dia tivesse de encontrar uma influência de Radiohead nas minhas canções, seria numa coisa numa coisa muito parecida com isto que eu fiz para a versão, acho que é mesmo os mundos a coexistir perfeitamente.
Sentiste alguma dificuldade assinalável que tenhas encontrado ao fazer esta versão?
A dificuldade até é a aparente facilidade com que se parte para uma canção que é sobejamente conhecida e para a qual eu já ouvi algumas versões – e aliás já ouvi os próprios Radiohead a tocarem isto de maneiras diferentes – e isso traz a dificuldade acrescida porque às vezes uma pessoa tem uma tendência, ou uma tentação de querer fazer uma coisa diferente ou emprestar um cunho pessoal, e isso pode ser a morte do artista, querermos personalizar demasiado uma canção que é por si só bastante personalizada e já tem várias caras, querer de repente que ela tenha uma cara completamente diferente pode ser desvirtuar a canção, ou seja, aquilo que é mais característico nela e que a torna mais fácil, até mais apetecível, depois por outro lado também pode ser o campo minado.
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Com Duarte Pinto Coelho
Sábado 13:00 / Domingo 20:00 / Terça para Quarta 00:00

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