RADARZINE (OKC20)

RADARZINE (OKC20)

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Sábado, 27 Maio 2017
Esta Semana

O Radarzine prossegue o seu destaque alargado aos músicos nacionais envolvidos na nossa experiência científica OKC20, a celebração dos 20 anos de OK Computer dos Radiohead, onde todas as semanas estreamos novas versões para as 12 canções no alinhamento do álbum.
Depois da versão de TAPE JUNk para “Electioneering”, de “Karma Police” por Benjamim, “Exit Music (For A Film) pelos Vaarwell e “Paranoid Android” por Mirror People,  a canção que estreámos esta semana (e que podem ouvir apenas em exclusivo durante as nossas emissões) foi a de Sequin para “Climbing Up The Walls”.

Deixamos hoje o testemunho de Ana Miró sobre a sua relação com o clássico terceiro álbum dos Radiohead.

 

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Qual é a tua relação com os Radiohead? És do tempo do OK Computer?
Na altura não o devo ter ouvido, ouvi mais tarde, quando saiu o álbum eu era muito nova, só quando fui para o secundário é que descobri Radiohead. Foi o Amnesiac que me “bateu” e depois é que comecei a ver as coisas para trás e desde aí adoro Radiohead, é das minhas bandas favoritas, mesmo. Têm coisas incríveis, acho que o Thom Yorke a escrever é genial.
Quando chegaste ao OK Computer, lembras-te se esse disco te marcou de alguma forma?
Sim, sem dúvida. Até foi bastante difícil – quando vocês me convidaram – escolher uma música, porque é dos meus álbuns favoritos e é uma grande responsabilidade estar a fazer um cover de Radiohead, dá aquele medo porque as músicas já são incrivelmente boas e tu não queres estragar. Mas depois também não quis escolher uma música que me fosse muito próxima, com os covers prefiro escolher uma música que eu gosto mas que me seja mais distante, para eu conseguir fazer alguma coisa diferente. Porque senão tinha escolhido a “Exit Music (For a Film)”.
Então não tens grande relação com a “Climbing Up The Walls”?
Adoro a música, mas cá está, é aquela música que eu achava que fazer um cover disto não tem nada a ver com o meu género de música. Eles fazem música electrónica, mas tem um pace lento, aquela bateria suja, e as minhas cenas são sempre mais limpinhas, então achei que era bom pegar por aí. Gosto muito da música, mas não é aquela com que eu ia ficar «oh meu Deus vou estragar a música». Bom, espero não ter estragado esta. E também a escolhi, em termos da linha vocal dele, era a coisa que mais se distanciava daquilo que eu costumo cantar. Ele depois no fim começa a divagar com as vozes e a gritar – não que eu tivesse feito isso na minha versão – mas achei interessante porque não é um registo que eu normalmente faça e até há outras músicas deles que para mim são mais fáceis, então preferi esta, era mais desafiante.
Quando partiste para esta versão, a tua ideia era mantê-la perto do original ou subverter?
Obviamente que iria sempre soar a Sequin, porque era eu a fazer, mas acho que não pensei muito nisso. Foi um trabalho em grupo, fiz com o Filipe Pais, foi ele que fez a parte instrumental, escolhemos arranjos juntos mas a base foi quase toda da cabeça dele e basicamente o que falámos, antes de começar, foi que tinha de ser uma coisa super negra, porque a música é assim, a letra é estranhíssima e fomos por aí, não pensei muito como é que ia soar.
Uma vez dentro da música,houve alguma parte em que tenhas encontrado mais dificuldades?
Foi definir o fim, porque no final eles têm um grande solo de guitarra e eu não sou guitarrista, depois pensei fazer o solo em teclado, mas depois achei foleiro e então acabei por pensar «não vou conseguir tornar isto melhor e a ideia da música já lá está, portanto não vou ofender ninguém se fizer o final diferente». Parecia que faltava qualquer coisa mas às vezes neste processo de fazer um cover é preciso escolher essas diferenças. Mas foi mesmo só essa parte, porque aquilo tem uma cena tão épica no fim e o Thom Yorke grita e começa a ficar tudo ali misturado, e acho que foi a parte mais difícil, o resto foi super intuitivo.
No que toca à voz, adaptaste-te bem?
Foi super confortável para mim, até senti mesmo diferença das minhas músicas, porque eu a fazer a minha música normalmente desafio-me sempre, faço sempre qualquer coisa que eu sei que não consigo chegar lá à primeira então estou ali até chegar. E nesta, o tom era aquele, nós queríamos fazer no mesmo tom da música original, penso que simplificámos algumas linhas, mas para mim é fácil cantar no tom dele, ele tem praticamente a mesma amplitude vocal que eu. Quer dizer, eu não tenho tantos graves,talvez essa parte fosse a mais difícil para mim, nos versos, mas eu tentei puxar para uma coisa mais suave, delicodoce, assim uma vozinha mais respirada, tenho lá uns sussurros por trás – não sei se alguém vai ouvir mas deu-me imenso gozo, cantar aquilo sussurado.
Que instrumentos usaste nesta versão?
Foi tudo electrónica, a minha paixão são os sintetizadores, não usei mais nada, só teclados e o computador. Espero ter captado a energia da música. Para mim, quando se aceita uma coisa destas, tens de estar minimamente confortável com aquilo que vais apresentar. Eu gostei logo do ambiente que o Filipe Pais criou, depois tentámos só preencher com alguns sintetizadores, mas para ficar o mais simples possível. Eu gosto de coisas simples, na minha música se começo a inventar muito e a pôr muita coisa começa a ficar esquisito, então aqui também tentei pôr esse lado, mesmo a ideia de não fazer o solo final. Optei pela simplicidade.
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Com Duarte Pinto Coelho
Sábado 13:00 / Domingo 20:00 / Terça para Quarta 00:00

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